Hei pessoal da FADISMA, Santa Maria, RONDON, Ministério da Defesa... estamos aqui em Purupuru, distrito de Careiro, na Escola Estadual Pedro dos Santos, de frente para o Lago Purupuru, trabalhando e suando com a linda comunidade amazonense.
Enquanto a Luíza, a Mariana e a Graciele trabalham com as oficinas Fazendo "arte" (artesanato) e reciclagem de papel, o Alisson e a Carol trabalham com o Apoio governamental à pesca e o Bruno, o Matheus e o Gabriel estão descansando, divulgando o RONDON e se organizando para as oficinas que seguem a tarde, eu e Dai conseguimos um computador conectado à internet para tentar contar um pouquinho como estão as coisas por aqui.
Já combinamos com a gurizada para que todos tentem achar tempo para também postar suas percepções. A nossa dificuldade é realmente o tempo. Temos dormido muito pouco. Uma média de 6 horas por dia. Durante a manhã, tarde e parte da noite, todos trabalham em oficinas, suas ou dos colegas, e em divulgação na rua. De noite, lavamos roupa, jantamos, conversamos, fazemos reunião. Também temos tirado um tempinho para jogar volei, carta e cantar uma musiquinha.. Outro grande problema, como já falamos, é a internet, extremamente lenta.
Contudo, estamos todos extremamente loucos para postar as fotos desse lugar inacreditável que é o Estado do Amazonas. Hoje e amanhã estamos em Purupuru e, daqui, certamente, sairão muitas fotos. Contudo, foi impressionante a experiência em dois outros distritos: Araçá e Mamori.
Para Araçá fomos na quinta-feira. Como disse o Alisson, foi em Araçá que todos nos sentimos efetivamente rondonistas, uma vez que a comunidade participou intensivamente de todas as nossas oficinas. Se na sede do município, toda divulgação que temos feito em rádio (nós e a equipe da USP vamos duas vezes por dia na rádio, salvo nos dias que não estamos na sede do município), televisão (o Alisson e o Matheus gravaram uma chamada para a TV) e rua, nem sempre resulta em grande participação, nos distritos a população comparece em peso. Pelo desgaste, cansaço, jogo de cintura, mas, acima de tudo, realização e satisfação de sentir poder estar mudando vidas, um enorme obrigada a Araçá, primeiro distrito que fomos e que nos encheu de alegria.
É possível ir para Mamori de transporte terrestre ou fluviável. Se fossemos pela via terrestre, no final do dia passaríamos em outro distrito, Samaúma, onde teria uma feira de artesanato feito a partir da reciclagem. Entretanto, como a ponte em que passaríamos estava em reforma, fomos de barco. Nunca vivi coisa igual. Nunca vi coisa igual. Viajar por um rio cheio de curvas e inúmeras entradas (como se, por vezes, chegássemos num entroncamento) e, ao redor, olhar para a maior floresta do mundo.. definitivmente foi a maior experiência que já tive. Agora, passar por esse mesmo trajeto na parte da noite, é irreal. Os barqueiros são incríveis e conseguem se localizar no meio de uma escuridão quase absoluta. Com a lanterna, conseguimos localizar jacarés, pois seus olhos ficam vermelhos. Olhando para cima, vimos o céu mais estrelado que se pode imaginar para quem vive na cidade.
O trabalho em Mamori foi numa Escola Municipal localizada como que numa ilha. No final de dia, como sempre acontece, caiu uma chuva forte, e, no meio daquela água toda, formou-se um lindo arco-íris no céu. Ao final dos trabalhos, tomamos banho de rio e passeamos em barquinho de pesca - pequeno, raso e rente à água. Quanto ao trabalho, mudamos nosso cronograma, mais do que normalmente acontece, adaptando-o a toda a comunidade que compareceu em peso e feliz. Inserimos oficinas e adaptamos algumas outras. Bom, mas se em Araçá nos sentimos mais rondonistas, em Mamori nos sentimos efetivamente no Amazonas. É incomunicável estar no meio daquele rio e no meio daquela floresta. Tanto que a viagem de ida e volta foi de estarrecimento para com a beleza do espaço. Acho que pela primeira vez fizemos uma viagem sem cantar..
Ontem, domingo, fomos para o Recanto Pio Lanteri, local gerido pela Fundação Amazônia Humana, da Fundação Pio Lanteri. Lá, trabalhamos com o público jovem e adolescente. A programação das nossas duas equipes priorizou conversas e dinâmicas sobre Meus Direitos, nosso futuro, onde, através de rápidas conversas teóricas e mini-esquetes (teatro) discutimos sobre os principais direitos previstos na nossa Constituição Federal. Também conversamos sobre O que eu vou ser quando crescer?, quando, em circulo, conversamos com os jovens sobre as ambições e sonhos profissionais deles e as nossas atividades, escolhas e cursos.
Bom, pessoal, mais histórias e percepções serão contadas pela voz e letras dos demais rondonistas.. Aguardem as fotos. Elas estão perfeitas, maravilhosas, indescritíveis. Beijos grandes a todos aqueles que amamos e de quem estamos morrendo de saudades! A vontade de estar com vocês cresce a cada dia, mas já começamos a sofrer com a ideia de voltar e nos distanciar deste lugar e pessoas que aprendemos a querer tão bem!
Obs: O Matheus chegou aqui na sala agora e, além de mostrar para mim e para a Dai um vídeo feito por ele da divulgação junto à comunidade (aliás, o Gabriel acabou de dar um "pequeno" fora numa das abordagens.. ehehe), manda um abraço do tamanho do Rio Grande, para todos..