terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Ir...voltar por inteiro? Não.


Antes de saber o quanto essa jornada iria modificar tudo o que sou, postei aqui a minha expectativa. Comparei cada rondonista com um dente-de-leão, onde vidas nos retiravam da terra e com um único sopro estaríamos nos espalhando por aí, deixando nossas sementes...nossos "pedaços". O toque divino proposital aconteceu, já na escolha do grupo. Na medida em que convivemos um com o outro, surgiu a oportunidade de conhecermos "eus" escondidos, que ficaram extremamente expostos durante todos aqueles dias. Sentimentos transbordando pela pele, a alegria de nos sentirmos úteis e preenchidos, inteiramente, em cada alma.
Entender o significado de todas aquelas coisas que aprendemos quando somos pequeninos. Saber sobre amor, sobre amizade, sobre coragem, sobre luta, sobre vida. Enxergar através do outro, querendo ajudar de todas as maneiras que existem, tornando o impossível em possibilidades.
Infelizmente eu não pude abraçar Palmeirais como um todo, pois se assim pudesse, teria abraçado cada um...
Quando lembro de alguns relatos que ouvi, dói demais. Dói de saudade e de vontade de ajudar. Interessante relatar não só as coisas mais lindas, mas também aquilo que nos tocou e, que acontece diariamente...vemos na TV, nos jornais, na esquina de nossa casa e precisamos sair, ir para longe, ficar distante de tudo que nos acomoda para sentirmos na pele. Gabriel e Taiguara lembrarão dessa pessoa, com certeza.
Dona Nedina.
Uma senhora de vida sofrida, com seus oitenta e quatro anos, não possuía mais a visão. Eu conseguia sentir a saliva na garganta, por saber que aquela realidade, ali, ficaria para além dos meus quinze dias em Palmeirais. Dona Nedina tinha muitas doenças, dentre elas, se não me engano, cardíaca. Relatou que não tinha condições de comprar os remédios, momento em que o Gabriel perguntou quanto eles custavam. Ela disse: oito reais.
Isso tem o poder de mexer com a gente. Mexer tanto que fica difícil não engolir a saliva, sentir que ficamos mais vulneráveis...o que dizer, nesse caso? O curso de Direito é lindo na teoria, mas sua prática assusta. Lidar com a vida das pessoas não é brincadeira. Para sentir o problema precisamos viver ele, mesmo que através de um relato. Lidar com pessoas traz a responsabilidade tremenda de esquecer um pouco de si, para poder, realmente, ajudar.
Ela ainda disse que iria "fazer do cemitério sua morada", por acreditar que não sobreviveria, que não aguentaria todas as adversidades da vida, não suportaria mais batalhar, sofrer, sentir falta de coisas que para todo o ser humano deveria ser direito.
Dona Nedina foi essencial nesse dia. Estava com saudades de casa e aquilo causou em mim uma sensação que eu jamais tinha sentido. Aquilo me modificou e, as saudades de casa voltaram a ocupar o segundo plano.
No entanto, tive que engolir em seco. Tive que segurar quando ela mencionou que estava triste pois não podia nos ver, mas sabia que éramos lindos. Até hoje, até agora, nesse momento em que escrevo, as lágrimas começam a inundar os olhos...
Dona Nedina não foi a única. Recebi carinhos, abraços, cuidados de inúmeras pessoas... Palmeirais me abraçou, por inteira, pois eu sabia que não poderia abraçar a grandeza daquele lugar.
O mundo é diferente depois do Projeto Rondon. Tudo muda, tudo sai do lugar.
Eu voltei. 
Mas preciso dizer. Também fiquei lá.

Postagem do facebook:

"Rondonista sente na pele o calor humano. Isso porque aprende a sentir frio, de uma forma bem incomum: o arrepiar da alma quando percebe que algumas coisas só não avançam nesse país em virtude de outros seres, já não tão humanos, chamados "representantes do povo".
Ser rondonista também significa se sentir impotente. Os quinze dias que nos são dados para descobrirmos que nossa missão de mudar o mundo só pode plantar sementes, não sabendo seus resultados e se nossas propostas e incentivos poderão ser realmente efetuados. Novamente vem a questão dos nossos seres, tão desumanos, representantes.
Um rondonista também passa a enxergar pequenas ações do dia, antes comuns e que passavam despercebidas. O simples exaltar do próprio ego, quando se olha para o outro vendo apenas aquilo que está por fora. Enquanto as aparências forem o primeiro olhar da sociedade, todos nós sofreremos abusos intermináveis.
Participar do Projeto Rondon nos faz ver que nem sempre os lugares distantes, pequenos e talvez esquecidos, precisam de ajuda. Nós é que precisamos, urgentemente, abrir nossos olhos. São humanos muito mais evoluídos. São humanos que aprenderam a olhar o próximo pela sua história de vida, por aquilo que conquistou, pelo que trabalha, pelo que sente e não pelo que tem.
Eu, muitas vezes, me decepciono com a vida que levo, com a facilidade do que tenho e com outros tantos, iguais, que não sabem a gravidade de uma lamentação nas nossas condições. Somos, em nossa totalidade, privilegiados. 
Mas o pior não é isso. O pior é que o privilégio de estar na zona de conforto não nos agrada e que nos distanciamos, cada dia mais, da humanidade (o ser).
Ah, Palmeirais. Jamais poderei retribuir o tanto que me ensinou.
Aos descrentes da experiência Rondon, não sabem o que estão perdendo...não duvidem dessa jornada (que leva a nossa alma e jamais traz de volta). Hoje respiro "rondon" e não tenho dúvida alguma: não existe melhor sala de aula que os mais de 8 milhões de km², não há melhor lugar para ser humano do que lá fora, em qualquer lugar do - nosso - Brasil."

Metamorfose Rondon


Participar do Projeto Rondon foi presenciar uma tempestade de sonhos se realizando. Sonhos meus, de amigos, de Palmeirais, de um Brasil esquecido por nós, mas, principalmente, esquecido por quem mais deveria lembrar, os que todos elegemos de maneira democrática. Triste. Enfim, críticas à parte, posso afirmar que foram, de longe, as melhores férias da minha vida. Isso sem contar, claro, que não tive férias, em razão das aulas, do estágio e da maratona que foi estudar e me preparar para não decepcionar os Piauienses e a mim mesma. A transformação pessoal foi cem vezes maior do que o cansaço físico que senti, e milhares de vezes diferente do que pensei. Cresci e, essencialmente, passei a enxegar coisas que não via, não sabia, não conhecia, não imaginava, não sentia. Acordar de madrugada, arrumar a mochila e os materiais, tomar café, viajar até comunidades distantes, ser recebida com sorrisos e abraços, ser chamada de "Tia Amanda", "Prof. Amanda" e "Barbie" não há valor no mundo que pague; retornar à tardinha, exausta, e ainda ter que escrever relatório e passar as listas de chamadas para o computador, parece pesado, e foi, mas a sensação era de estar fazendo a coisa mais maravilhosa do mundo, e acho que as pessoas conseguiram sentir isso. Trabalhamos em equipe, nos ajudamos, apoiamos e, acima de tudo, nos superamos. Foi incrível e é absolutamente impossível relatar os quinze dias em simples palavras. Em Palmeirais as histórias foram muitas, mas com uma, em especial, me identifiquei e é por meio dela que trago 10% do que vivi lá. O texto a seguir foi escrito pela prof. da rede municipal de Palmeirais, Marlúcia, em uma carta que me entregou, pessoalmente, depois que entreguei uma para ela, junto de uma de minhas camisetas do Rondon. Ainda me emociono, e muito, ao lê-la. Espero que vocês possam sentir, por meio dela, um pouco do que senti.
  
"Amandinha...
            Escrever a gratidão, o afeto, o desdobramento do Projeto RONDON em nossa cidade e em minha vida é como estar flutuando sem nunca se ter voado. Vocês são mais que especiais e não é pra todos que abro meu coração. Afinal, sou uma profissional da área da Educação, o que não me permite transmitir problemas ou situações aos outros.
          Mas... O projeto RONDON e, em especial, seu ursinho e você, me fizeram acreditar em dias melhores, fazer o máximo de mim, aprender cada vez mais e, acima de tudo, saber que a pessoa que mais me completa está ao meu lado sempre. Minha mãe.
            Amandinha... Obrigada pela força, pelo seu trabalho aqui em nossa cidade. Você é uma pessoa incrível, sabe cativar, meiga, delicada, forte, apesar de estar longe de sua mamãe a tantos dias, és guerreira. Quero só te fazer um pedido. Aproveita daqui pra frente cada minuto com sua mãe, Débora, que com certeza não é diferente de você. Aproveite amiga para valorizar cada esforço que sua mamãe tem feito por você. Diz mais eu te amo pra ela, o quanto é especial pra você cada dia. Mãe só temos uma... E eu, infelizmente, não tenho mais a minha.
            Bom retorno, boa viagem...
         Espero e quero que na sua bagagem vá um pouco de mim, pois está ficando comigo o muito de você.
           Obrigada pela troca e pela presença em nosso cantinho chamado Palmeirais.
           Ao chegar no seu lar, leve o meu abraço para sua mamãe. Assim vou me sentir abraçando a minha toda vez que retornava de algum lugar...
            X-RÃO
            B-JÃO
            Curti muito tudo isso! VOLTE SEMPRE.
            Estou acordando de um sonho que pensei não acabar...

            NUNCA ESQUECEREI VOCÊS!"

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Destaque na Fanpage da FADISMA

Pessoal, mais um link para repercutir a ação de vocês. Vejam aqui um entre os vários posts na Fanpage da FADISMA.

Liana Merladete
Coordenação de Comunicação FADISMA

Agora que voltaram,que tal relembrar as intensas emoções?

Achei esses vídeos na internet e acho que vão gostar de conferir!

http://www.youtube.com/watch?v=B-dvdzeQ1XE

http://www.youtube.com/watch?v=pQyDwmyQsaY

Liana Merladete
Coordenação de Comunicação FADISMA

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Rondonistas chegando em casa!

Mais de quatrocentos estudantes e professores universitários trocaram o período de férias pela oportunidade de participar da Operação Velho Monge. O desejo de ajudar e mudar o cenário do pequeno município de Palmeirais, no Piauí, no caso da FADISMA, realizou-se no dia 17 de janeiro, quando os rondonistas da Instituição partiram com a missão de contribuir com o desenvolvimento sustentável e ampliar o bem-estar das comunidades carentes desse município.

Por volta das 16h30min eles começaram, aos poucos, chegar em casa. Eles passaram 15 dias em Palmeirais, juntamente com outros estudantes da Universidade do Estado de Minas Gerais (UMGE) realizando e dividindo a incrível experiência de fazer o bem.

O projeto envolveu atividades voluntárias com o intuito de aproximá-los da realidade do país. Juntos, desenvolveram diversas ações nas áreas de cultura, educação, saúde, direitos humanos e justiça, comunicação, trabalho, tecnologia e meio ambiente e até coordenaram uma audiência pública, segundo informações, agora há pouco, por telefone, da Professora Carol. As aulas, oficinas e ações dos universitários da FADISMA, foram coordenadas e acompanhadas pelas Professoras Carolina Suptitz e Olinda Barcellos.


Fato é que nossos rondonistas aceitaram o desafio de participar do Projeto Rondon que visa à integração social na busca de soluções que contribuem para o desenvolvimento sustentável das comunidades. No entanto, nada seria concretizado sem tanta dedicação, da preparação ao planejamento e, finalmente, execução.

Com o dever cumprido e o sentimento de que o Projeto Rondon foi uma lição de vida para todos, docentes, alunos, filhos, namorados voltam pra casa cheios de histórias lindas pra contar.

O Projeto Rondon ficará marcado na história de cada rondonista. Mas eles entre as mais belas da FADISMA. Afinal, lá vestiram a bandeira nacional, mas também a Institucional.


Liana Merladete e Júlia Bolzan
Coordenação de Comunicação FADISMA

Encerramento da Missão

A Gabi (esq.) nos remeteu as duas fotos abaixo, pelo celular, marcando a emoção do recebimento do troféu de encerramento da Operação Velho Monge. Consegui capturar o registro acima nas redes sociais também.

Felicidade e emoção estampadas no olhar das docentes Olinda e Carolina.

Missão dada. Missão Cumprida!


Liana Merladete
Coordenação de Comunicação FADISMA