domingo, 6 de fevereiro de 2011

Post de 19/01, por Pâmela

Postado no blog fadismarondon.blosgpot.com

DIA DE CAMPO - Vila Paraguaçu

Essa terça-feira começou cedo para o grupo de alunos que se deslocou para a vila Paraguaçu, a 150km do centro de água Azul. O despertador tocou as 5h e as 6h já estávamos na estrada: Germana, Rodrigo, Jinnefer, Elizete e eu (Pâmela), acompanhados pela Secretária de Educação (nosso anjo), Terezinha. O caminho indicava que saíamos da cidade e entrávamos no coração da zona rural de Água Azul: estrada de chão com muitos desníveis, floresta amazônica cada vez mais fechada, casinhas muito simples e a sensação de que o Rondon se apresentaria em todo o seu vigor para aquele grupo. Fomos recebidos na fazenda do Netão, casado com a Valderina, um casal cheio de entusiasmo, simpatia e boa vontade, que nos recebeu com um café da manhã e muita expectativa.
Depois de visitar os porcos, as cabras e as galinhas, montamos a estrutura do Rondon embaixo das árvores, aproveitando bancos de tábua que já estavam no lugar, acrescidos de cadeirinhas amarelas emprestadas pela secretaria. A oficina a ser realizada era de Laticínios, com noções sobre manejo de gado leiteiro. Para ela, organizamos uma mesa de tábua, onde colocamos liquidificador, coadores e todo o material para fabricação dos queijos e fogão de ferro com duas bocas. Com uma extensão de 50m, tudo foi ligado à energia, mesmo que estivéssemos em meio às árvores e distantes da casa. Uma faixa anunciando nossa chegada foi colocada ao fundo para completar o cenário.

Os participantes da oficina chegavam em comboios. Caminhõezinhos atulhados de gente na caçamba, com crianças, idosos e adultos. O cenário se completava. Aí começou o espetáculo. Vi as pessoas sendo tocadas em suas vidas cotidianas, as vi aprendendo e repensando suas práticas (no manejo de gado), as vi passar da desconfiança (é esse menino que vai nos ensinar a lidar com gado e leite????!!!!) à admiração e respeito. Rodrigo fez queijo tradicional, requeijão cremoso, queijo ricota e iogurte para o público deslumbrado com sua experiência. Confesso que me emocionei ao ver nosso futuro juiz ensinando a ver o ponto do queijo, medindo a temperatura, dando dicas de como utilizar as frutas, entrando e ganhando espaço, confiança, numa área que nunca foi a dele.




Enquanto isso, na vila, Jinnefer e Elizete começaram o dia reconhecendo o espaço. Percorreram cada rua, entraram nas casas, conversaram com as pessoas, convidaram-nas para as oficinas e conheceram mais de seus problemas e necessidades. Elas também estavam vendo a cara do Rondon se desvelando. As 10h30min começou a oficina de gestão do orçamento familiar numa vila onde a maioria está endividado, tem pouquíssima renda, já que quase não há emprego formal e a baixa auto-estima é generalizada. O círculo de cadeiras foi organizado embaixo do barracão da escola, à vista de quem passava. As meninas também conseguiram sentir a mudança acontecendo. Casos de suicídio por dívidas foram relatados, exemplos pessoais contados, conselhos simples e impactantes dados.



Almoçamos todos juntos na escola da vila e organizamos a oficina de cooperativismo da Germana embaixo do mesmo barracão usado pelas meninas. Montamos datashow, juntamos caixa de som e se seguiu um curso lindo, cheio de vídeos, exemplos práticos e motivação de sobra para iniciar um movimento coletivo de combate à pobreza. A Germana conseguiu, ao final, organizar uma comissão de 4 mulheres responsáveis por pensar e estruturar a futura cooperativa de produtos rurais de Paraguaçu.



Na volta para casa, depois desse dia de emoção e realização (diminuida só pela ausência do Matheus, que ficou de cama), voltávamos bobos. As meninas (Elizete e Jinnefer) com cartinhas de carinho das crianças da vila, todos nós comendo pamonha feita para experimentarmos a culinária peculiar da região, todos cheios de convicção de que o Rondon começa a se realizar. E ele pode mesmo mudar vidas.

4 comentários:

Carlos Ferreira disse...

Pessoal, eu sei que sou meio suspeito para falar, mas o texto está muito bom. A moça linda que escreveu este "post" deixa a Clarice Linspector no chão, não acham?
Fantásticas as atividades realizadas. Parabéns aos participantes.
Fica um beijo cheio de saudades para minha linda Pam que eu amo tanto.

Termino esse comentário imparcial registrando minha irresignação com a retirada do ar do antigo blog, que estava excelente e cheio de mensagens inspiradíssimas escritas por pais, parentes,amigos e todos mais que estão aqui de longe tentando apoiar vocês, nossos soldados da paz na SELVA.
Grande abraço a todos e mais um beijo na minha Pâmela (a coisa mais linda desse mundo).

noely disse...

Boa Noite Pessoal!

Agora estou feliz por que pude ascessar a esse novo blog,pois havia passado o dia todo tentando ,até que chegou um recado que havia mudado,enfim; pude ler a belíssima reportagem escrito pela cordenadora Pamela,narrando o lindo trabalho desenvolvido no dia de hoje pelos participantes desta operação.
Desejo boas melhoras para o Matheus.

Um grande abraço á todos Voçês!

Gilmar Teixeira disse...

Como havia descrito no comentário do Blog anterior (Infelizmente fora do ar) e agora tenho a certeza que vocês estão fazendo história, a coordenadora Pamela fez uma narrativa, confesso dizer, emocionante, parabéns vejo que a Fadisma fez as escolhas de pessoal certo.

Matheus, você é um guerreiro, vai em frente, vença este mal estar, pois você tem muito de ti e de teus conhecimentos a repartir com este povo, e também devolver aos teus parceiros Rondonistas a força que te deram nestes teus momentos ruins, te amamos, Pai Mari e o Mano Be.

elizete helena disse...

Assim como a "família Rondon" (pois minha segunda família está em Santa Maria/ RS), estou muito feliz em participar deste projeto, que é uma verdadeira lição de cidadania. Desejo à população de Água Azul do Norte, Vila Canadá e Paraguaçu que consigam implementar os projetos e aliar o crescimento econômico com o desenvolvimento social. Deixo aqui meu abraço e tenho certeza que a comunidade se manterá unida e em prol dos objetivos que tem em comum. Olhar o presente e desenvolver ações para o futuro faz com que consigamos realizar grandes feitos, muitas aventuras e a eternização da amizade por este povo tão hospitaleiro. Obrigada! Att. Elizete Helena.
22/01/2011.

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