A
oportunidade de vivenciar a brasilidade de nosso país foi extremamente
sensibilizante. Inexiste dimensão para quantificar o conhecimento adquirido, o
qual somente pode ser medido em relação à aspiração de fazer parte da mudança
da realidade social que nos cerca.
Brincar,
correr, dançar, cantar, andar de bicicleta e sair atrás de um jumento (sim, eu
queria andar!) fizeram de mim a criança mais feliz daquelas comunidades. Talvez
as crianças de lá nem percebessem isso, queriam mesmo era aprender algo novo
com a ‘tia’, contudo, enganavam - se, pois, na verdade quem aprendia era eu.
Em
determinados momentos houve apreensão, dificuldades e desafios foram impostos.
As oficinas que durante seis meses foram pensadas/preparadas com todo cuidado
possível, necessitavam ser adaptadas ao público e ao tempo. Sem dúvida, veio
aquele ‘friozinho na barriga’, afinal sou uma estudante e a missão era de muita
responsabilidade. Queria dar o melhor à população, pois estava recebendo muito.
Mas o espírito de rondonista nos permite isso, nos dá uma capacidade de
transformação incrível. Ao finalizar a oficina e perceber o quão produtiva
tinha sido, mesmo que embaixo da árvore (como na foto), pois a única sala da
escola estava ocupada por outro colega, era gratificante demais.
Eu
vi, ouvi, convivi, acordei e dormi em outra realidade. Localidades que estão
esquecidas pelo poder público, que tem fome de educação, saúde e oportunidades.
Onde estavam os banheiros de algumas escolas? Onde estavam as outras salas de
aulas, pois ali só havia uma multisseriada? Enfim, onde estão os direitos
fundamentais do cidadão brasileiro?
Foi
difícil (inclusive neste momento em que escrevo) conter as lágrimas, a revolta,
a indignação... No entanto, ao ver o brilho nos olhos daquelas pessoas - seja
criança, jovem, adulto ou idoso - força e vontade de um futuro melhor, vinha à
tona aquele pensamento de que a partir da conscientização de cada um, podemos,
sem dúvidas, unir força ativa em busca da idealização social.
Por
fim, aos que desejam ser um rondonista, vestir a camisa, colocar a mochila nas
costas, se entregar de corpo e alma, encarar sol, chuva, cansaço e sair por
este “Brasilzão” afora, resumo minha experiência em uma única palavra: VIDA.
Voltei
com a mala pesada – muito pesada – de amor, carinho e conhecimento. Meu maior
orgulho é poder dizer: sou uma rondonista!
Gabrielli
Spat
11/03/2014

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