terça-feira, 11 de março de 2014

Na mala do RONDON

A oportunidade de vivenciar a brasilidade de nosso país foi extremamente sensibilizante. Inexiste dimensão para quantificar o conhecimento adquirido, o qual somente pode ser medido em relação à aspiração de fazer parte da mudança da realidade social que nos cerca.
Brincar, correr, dançar, cantar, andar de bicicleta e sair atrás de um jumento (sim, eu queria andar!) fizeram de mim a criança mais feliz daquelas comunidades. Talvez as crianças de lá nem percebessem isso, queriam mesmo era aprender algo novo com a ‘tia’, contudo, enganavam - se, pois, na verdade quem aprendia era eu.
Em determinados momentos houve apreensão, dificuldades e desafios foram impostos. As oficinas que durante seis meses foram pensadas/preparadas com todo cuidado possível, necessitavam ser adaptadas ao público e ao tempo. Sem dúvida, veio aquele ‘friozinho na barriga’, afinal sou uma estudante e a missão era de muita responsabilidade. Queria dar o melhor à população, pois estava recebendo muito. Mas o espírito de rondonista nos permite isso, nos dá uma capacidade de transformação incrível. Ao finalizar a oficina e perceber o quão produtiva tinha sido, mesmo que embaixo da árvore (como na foto), pois a única sala da escola estava ocupada por outro colega, era gratificante demais.

Eu vi, ouvi, convivi, acordei e dormi em outra realidade. Localidades que estão esquecidas pelo poder público, que tem fome de educação, saúde e oportunidades. Onde estavam os banheiros de algumas escolas? Onde estavam as outras salas de aulas, pois ali só havia uma multisseriada? Enfim, onde estão os direitos fundamentais do cidadão brasileiro?
Foi difícil (inclusive neste momento em que escrevo) conter as lágrimas, a revolta, a indignação... No entanto, ao ver o brilho nos olhos daquelas pessoas - seja criança, jovem, adulto ou idoso - força e vontade de um futuro melhor, vinha à tona aquele pensamento de que a partir da conscientização de cada um, podemos, sem dúvidas, unir força ativa em busca da idealização social.
Por fim, aos que desejam ser um rondonista, vestir a camisa, colocar a mochila nas costas, se entregar de corpo e alma, encarar sol, chuva, cansaço e sair por este “Brasilzão” afora, resumo minha experiência em uma única palavra: VIDA.
Voltei com a mala pesada – muito pesada – de amor, carinho e conhecimento. Meu maior orgulho é poder dizer: sou uma rondonista!
Gabrielli Spat

11/03/2014

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